Não tema o inespecífico: Dor de origem inespecífica, ou seja, sem causa patoanatômica definida também é diagnóstico.

Olá, leitor

Previamente ao início da leitura dessa breve publicação, para um maior domínio e compreensão do conteúdo descrito, sugiro a leitura das duas últimas publicações já disponíveis nessa página intituladas:

1- Dor lombar no Brasil e no mundo: Epidemiologia, e;

2- Para reduzir a prevalência de dor crônica é preciso reconceitualizar a Dor e o seu manejo (“tratamento”).


A título de curiosidade, segue:

Você sabia que apesar de a dor lombar ser tão prevalente, ainda não é possível estabelecer uma causa anatomopatológica em grande parte dos casos (90% das dores lombares são de origem inespecífica). Por isso, o termo dor lombar inespecífica (DLI) é comumente usado na literatura científica. Além disso, existem fortes indícios de que a dor lombar crônica inespecífica (DLCI) esteja associada com uma complexa interação de fatores além do anatomopatológico, ou seja, condições não anatômicas que agem como gatilho para que você sinta dor nas costas.

Com o objetivo de elucidar e trazer à tona esses fatores, segue parte das condições não voltadas a anatomia (estrutura) que estão associadas com a presença de dor nas costas de origem inespecífica (DLCI) – dados com base na literatura científica contemporânea:

  • Fatores físicos (padrões de movimento mal adaptativos, esquema corporal alterado, comportamento doloroso e perda de condicionamento);
  • Fatores cognitivos (crenças inadequadas, catastrofismo, hipervigilância, estratégias mal adaptativas de enfrentamento, baixa auto-eficácia);
  • Fatores psicológicos (medo, ansiedade, depressão);
  • Fatores de estilo de vida (inatividade física, problemas de sono, estresse crônico);
  • Fatores neurofisiológicos (sensibilização do sistema nervoso periférico e central) e;
  • Fatores sociais (status socioeconômico, família, trabalho e cultura).

Isto posto, evidências científicas atuais contemplam a influência dos fatores biopisicossociais no manejo da dor lombar inespecíficaDesta forma, faz-se necessário a investigação e abordagem desses fatores na prática clínica do Fisioterapeuta quando treinado e capacitado para tal. Ademais, estudos suportam que a abordagem biopsicossocial, contemplando fatores biológicos (patoanatômicos) e psicossociais é superior a tratamentos que incluem exercícios isolados, “monototerapias” e/ou programas baseados exclusivamente em causas estruturais (patoanatômicas) para a DLCI decorrendo em redução da dor, melhora na incapacidade e qualidade de vida, além da redução dos gastos públicos no serviço de saúde primário internacional devido as recidivas em um espaço de até 24 meses.


Sem ciência não há educação e não existe saúde. Desta forma, cabe aos amantes da ciência aproximar o distanciamento e estreitar o relacionamento entre os pesquisadores (a bancada), os clínicos e a sociedade. O nosso silêncio custa caro para a sociedade. Ele pode custar vidas e permitir com que pseudo-ciências (falsas ciências) perpetuem.

 

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