Os impactos econômicos, sociais e psicológicos das abordagens no manejo da dor lombar devem ser considerados e revistos na prática clínica para a sustentabilidade do sistema de saúde.

Os impactos econômicos das abordagens no manejo da dor lombar devem ser considerados e revistos na prática clínica para a sustentabilidade do sistema de saúde.

A dor lombar encontra-se entre os maiores problemas de saúde pública no Brasil e no mundo, sendo a principal causa de anos vividos com incapacidade (Global Burden Disease, 2015).

Estudos mostram que cerca de um terço dos pacientes que apresentam dores nas costas são orientados a realizar exames de imagem, aumentando os custos com as solicitações e posteriores excessos de diagnósticos (overdiagnosis) e excessos de tratamento (overtreatment). Ambos, decorrem em prejuízos ao sistema de saúde e riscos ao paciente, tais como exposição à radiação, excesso de medicamentos, injeções epidurais, intervenções cirúrgicas e persistência dos sintomas que diz respeito a 5% dos casos que podem desenvolver dor crônica sendo esta responsável por 80% de afastamento do trabalho (Van Tulder M. 2006; Deyo R., 2009; NHMRC, 2015).

Segundo a American College of Radiologia (ACR) e o Instituto Nacional Europeu para Excelência em Saúde e Cuidados (NICE), a dor lombar é uma condição benigna e não requer exame de imagem, tendo em vista que aproximadamente 11,9% dos pacientes relatam limitações devido à dor lombar por um período maior que um dia, 23,2%, por mais de um mês e 90% com dor aguda recuperam-se em até seis semanas.

Ademais, estudos longitudinais mostram a ausência de associação entre achados em exames de imagem da coluna lombar e cervical com dor, ou seja, pacientes assintomáticos apresentam as mesmas alterações degenerativas, fazendo parte do processo de envelhecimento normal e não associadas à dor.  Esses achados de imagem devem ser interpretados no contexto da condição clínica do paciente (Benson, 2010; Coronado, 2013; Brinjikji W., 2015;  Nakashima, 2015).

Isto posto, exames de imagem precoces tem forte efeito iatrogênico na dor lombar aguda com ou sem radiculopatia, não tendo efeito positivo em medidas de saúde além de aumentar a probabilidade de permanência de incapacidade. Clínicos e pacientes devem ser conscientizados de que, quanto mais precoce o exame de imagem for solicitado, os benefícios são reduzidos e os resultados desfavoráveis são mais prováveis (Graves, 2012; Barbara S. Webster, 2013).

Um estudo com 100.977 clínicos mostrou que ser proprietário de aparelho para diagnóstico em imagem é um forte preditor para solicitação de exames desnecessário para dor lombar e dores de cabeça (Hong S. Arthur, 2017).

Desta forma, exames de imagem não são indicados para a dor lombar aguda, corroborando com as diretrizes de prática clínica internacionais para o manejo da dor lombar quando julgam desnecessária e concentram-se na redução da solicitação precoce de exames de imagem (NICE, 2009; ACR, 2011; NHMRC, 2015), exceto em casos onde o exame clínico detectou fatores físicos que justifiquem a investigação. Esses fatores são conhecidos como “bandeiras vermelhas”, podendo ser representativo de uma grave patologia, e diz respeito a um percentual menos significativo (5-10%) quando comparado as dores inespecíficas (90%).

O Brasil não apresenta dados em relação à custos ao sistema de saúde e consequências aos pacientes em relação aos excessos de solicitações de exames de imagem para a dor nas costas.

Um estudo de Walker et al. estimou o custo de US$ 66 milhões somente no ano de 2001 para solicitações de exames de imagem para dor nas costas na Austrália. Os custos aumentam para US$ 240 milhões quando internações estão envolvidas (Walker BF., 2003). Na Dinamarca, o custo socioeconômico anual da dor nas costas ultrapassa os € 1,6 bilhão (Koch, 2011).

Informações enquanto à tomada de decisão clínica em um ambiente hospitalar e informações direcionados aos clínicos de atenção primária foram efetivas para reduzir o uso de imagens para dor lombar, 36,8% e 22,5% respectivamente. Estas intervenções de baixo custo são potencialmente capazes de reduzir despesas em ambientes hospitalares associadas ao manejo da dor lombar (Hazel J., 2015).

Segundo Eccles M. e colaboradores (2001) os departamentos de radiologia que lidam com atenção primária deveriam aderir as diretrizes para solicitação de exames imagem do UK Royal College of Radiologists visando redução de custos e menor solicitação de exames (overdiagnosis) de imagens para dor lombar e joelhos.

O impacto da não adesão as diretrizes para a solicitação de ressonâncias magnéticas correspondem a uma grande variedade de serviços desnecessários e custosos aos serviços de saúde e risco aos pacientes (Barbara S. Webster, 2014).

Estudos internacionais mostram que aproximadamente 40% das solicitações de exames de imagem são desnecessárias, ou seja, os pacientes não apresentavam nenhuma justificativa para tal procedimento. Os pacientes precisam ser melhores informados enquanto a escolha de um serviço baseado em evidências científicas, livres de riscos, menos custosos aos serviços de saúde e utilizados quando necessário segundo o contexto da condição clínica apresentada (Barbara S. Webster, 2014).

Desta forma, ficam explícitos os benefícios primários ao implementar medidas de prática clínica que visam reduzir os custos com as solicitações desnecessárias de exames imagem para dor lombar, além das reduções de custos secundários, tais como overdiagnosis, overtreatment e litígios trabalhistas.

Por fim, faz-se necessário a implementação de um protocolo padronizado para impedir que os clínicos solicitem imagens apenas para fins de reconforto pessoal, reconforto do paciente ou questões relacionadas a litígio trabalhista (Rego MH, Nagiah S, 2016).

Um comentário em “Os impactos econômicos, sociais e psicológicos das abordagens no manejo da dor lombar devem ser considerados e revistos na prática clínica para a sustentabilidade do sistema de saúde.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s