A COMUM incompatibilidade entre dano tecidual e dor.

Dor e achados em exames de imagem: Existe causalidade?


Olá, leitor

Previamente ao início da leitura dessa breve publicação, para um maior domínio e compreensão do conteúdo descrito, sugiro a leitura das três últimas publicações já disponíveis nessa página intituladas:

1- Dor lombar no Brasil e no mundo: Epidemiologia;

2- Para reduzir a prevalência de dor crônica é preciso reconceitualizar a Dor e o seu manejo (“tratamento”); e

3- Não tema o inespecífico: Dor de origem inespecífica, ou seja, sem causa patoanatômica definida também é diagnóstico.


A comum incompatibilidade entre dano tecidual e dor é sustentada por uma série de estudos que mostram a ausência de causalidade entre achados em exames de imagem e dor, ou seja, pacientes assintomáticos apresentam as mesmas alterações degenerativas, decorrentes do processo de envelhecimento fisiológico não, necessariamente, estando relacionadas à dor.  Portanto, os achados em exames de imagem devem ser interpretados no contexto da condição clínica do paciente, isto é, através de uma abordagem baseada em mecanismos da dor (Chimenti et al., ‎2018).

 

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Isto posto, justifica-se a necessidade de uma maior compreensão dos clínicos e pacientes enquanto a ausência

de causalidade entre dor e achados em exames de imagem, e o quanto abordagens baseadas nessa eventual causalidade são prejudiciais ao sistema de saúde e pacientes.

Desta forma, é necessário que o profissional da área da saúde tenha ciência do quão prejudicial sua abordagem tem sido retratada segundo evidências atuais ao rotular seus pacientes com diagnósticos excessivos (overdiagnosis) desprovidos de fundamentação científica, baseados numa relação causal (causa e efeito) eventual (menos de 10% dos casos quando nos referimos a coluna). Abordagem essa, capaz de desencadear uma cascata de prejuízos ao paciente (overtreatment) e sistema de saúde (descrito nessa publicação: Impactos econômicos, sociais e psicológicos..).

Em suma, é como se o profissional da área da saúde afirmasse que a dor nas costas do paciente ou em outro segmento ocorra tão somente devido ao que que foi encontrado em um exame de imagem, uma correlação que não é causalidade, isto é, não é verdadeiro (vulgarmente conhecido como falso). Outros exemplos de correlações falsas, ou seja, por obra do acaso, estão disponíveis em alguns estudos no link a seguir: Correlações falsas

Não sejamos coniventes. Aos colegas da área da saúde e pacientes, cabe a reflexão.


Sem ciência não há educação e não existe saúde. Desta forma, cabe aos amantes da ciência aproximar o distanciamento e estreitar o relacionamento entre os pesquisadores (a bancada), os clínicos e a sociedade. O nosso silêncio custa caro para a sociedade. Ele pode custar vidas e permitir com que pseudo-ciências (falsas ciências) perpetuem.

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