A compreensão de um conceito | “Deseducar”para reeducar: você está apto?

Olá, leitor

Previamente ao início da leitura dessa breve publicação, para um maior domínio e compreensão do conteúdo descrito, sugiro a leitura das últimas publicações já disponíveis nessa página, tendo em vista que os assuntos são contínuos.


A palavra compreensão é um substantivo feminino que pode significar a faculdade de entender, de perceber o significado de algo; entendimento, ou o perfeito domínio intelectual de um assunto;

Já a palavra conceito é um substantivo masculino que pode significar a compreensão que alguém tem de uma palavra; noção, concepção, ideia. “seu c. de moral é antiquado”

Desta forma, a ausência de compreensão de um conceito, torna a informação final e o entendimento abstratos (seja o paciente e/ou clínico).


Os pacientes que estão com dor, especialmente aqueles com dor crônica, estão frequentemente interessados ​​em aprender (compreender) mais sobre as causas e mediadores de sua experiência dolorosa*.

Já é sabido que o modelo biomédico (SAB model) comumente usados ​​em Fisioterapia e Medicina (para explicar a dor), incluindo (S) estrutura, (A) anatomia e (B) biomecânica, são insuficientes para explicar algumas das complexas questões da dor; tais como a sensibilização central, sensibilização periférica, inibição, facilitação, neuroplasticidade, etc. Além disso, está bem documentado que o modelo biomédico pode induzir medo e ansiedade aos pacientes, o que pode alimentar ainda mais o medo e a evitação (fear avoidence) e a catastrofização da dor, além de alimentar a busca incessante por parte dos clínicos e pacientes visando encontrar o fator causal da dor. Essa busca incessante, decorre numa cascata de adventos prejudiciais ao paciente e sistema de saúde já bem documentados pela ciência e descrito em publicações anteriores nesse blog, segue: Prejuízos causados pelos excessos de diagnósticos e tratamentos

Por outro lado, na contra-mão do modelo biomédico (SAB model), a educação em dor com base em neurociência, amparada por inúmeros estudos científicos, visa ensinar (educar, explicar, habilitar) mais aos pacientes sobre sua experiência de dor, numa perspectiva biológica e fisiológica, adotando assim, cada vez mais a abordagem biopsicossocial, isto é, além do patoanatômico.

Desta forma, ao aprender o conceito, a compreensão por parte do paciente torna-se mais acessível e o entendimento em relação ao seu caso menos abstrato. A nitidez e clareza da informação final aos pacientes são imprescindíveis para um melhor desfecho dos seus casos.

Isto é, não somente aos pacientes com dor crônica. Existem muitos profissionais crônicos, viciados em hábitos e modelos de saúde antigos que necessitam com urgência modificar seus comportamentos. Caso contrário, continuarão a alimentar a cascata de prejuízos aos pacientes e sistema de saúde com suas condutas duvidosas.

Por fim, a questão em jogo é;

“Deseducar”para reeducar: Você está apto?

*Entenda-se apto como: Capacitado, isto é, munido de conhecimento para um dado fim.


Sem ciência não há educação e não existe saúde. Desta forma, cabe aos amantes da ciência aproximar o distanciamento e estreitar o relacionamento entre os pesquisadores (a bancada), os clínicos e a sociedade. O nosso silêncio custa caro para a sociedade. Ele pode custar vidas e permitir com que pseudo-ciências (falsas ciências) perpetuem.

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