Uma anormalidade normal: É possível?

Olá, leitor.

Previamente ao início desse texto, gostaria de conceitualizar duas palavras que serão citadas com frequência.

Espero que a leitura seja agradável e proveitosa.


A título de curiosidade, segue:

O que é normal?

Conceitualmente, normal pode ser definido como:

1- Conforme a norma, a regra; regular que é usual, comum; natural.

E anormal, qual é a definição?

Conceitualmente, anormal pode ser definido como:

1 – Que desvia claramente de uma norma (diz-se de manifestação, comportamento, vivência etc.); que ou o que está fora da norma; diferente, irregular; que ou o que gera surpresa ou inquietação pelo seu caráter imprevisto ou inexplicável; excepcional, insólito.

E como poderíamos explicar uma anormalidade normal, isto é, uma normalidade que foge um padrão mas continua sendo considerada normal?

Essa explicação é um grande desafio na prática clínica de profissionais que atendem pessoas com sintomas persistentes, isto é, paciente crônicos. Em especial, pacientes com dores músculoesqueléticas.

Pacientes crônicos trazem consigo uma enorme carga informativa devido a sua busca incessante, às vezes durando 5, 10, 15 anos, por um diagnóstico e possíveis abordagens para reduzir os seus sintomas.

Parte dessa carga informativa obtida pelos pacientes crônicos tem como origem os profissionais da área da saúde, que por encargo, deveriam estar proporcionado auxílio eficaz. Entre idas e vindas à hospitais, clínicas e consultórios uma série de possíveis diagnósticos e prováveis fatores causais, melhor dizendo, a origem dos seus sintomas são transmitidos aos pacientes.

Apesar disso, a busca não finaliza na última ida ao consultório. O alívio proposto é momentâneo, os sintomas reduzidos logo retornarão. As recidivas tardam, mas retornam. Mais uma tentativa por parte do pacientes dentre tantas outras já realizadas.

Onde está a falha?

Parte das abordagens propostas, em sua maioria, são baseadas em possíveis danos patoanatômicos. Facilitando, podemos entender como danos patoanatômicos, possíveis alterações relacionadas à estrutura, anatomia e biomecânica.

No entanto, evidências científicas nas últimas décadas tem nos mostrado uma menor ausência de correlação entre a dor percebida pelo paciente e um dano tecidual a medida que os sintomas persistem, ou melhor, quanto mais tempo de dor, menor a relação com um dano tecidual. Confira maiores informações sobre o tema acessando esse link: A comum incompatibilidade entre dano tecidual e dor.

Para propormos uma abordagem menos prejudicial a esses pacientes, voltamos a pergunta que incitou a necessidade dessa publicação: Como poderíamos explicar uma anormalidade normal aos pacientes?

Um exemplo clássico, no consultório, é a associação errônea realizada pelos profissionais da área da saúde entre os achados em exames de imagens, por exemplo os achados numa ressonância magnética, como sendo os prováveis causadores da dor desses pacientes.

Esses achados em exames de imagem ao apresentarem uma anormalidade, geralmente são associados à prováveis prejuízos aos pacientes, e como sendo o fator gerador dos seus sintomas.

Contudo, segundo evidências científicas, essas associações estão equivocadas.

A associação entre achados “anormais” corriqueiros, isto é, classificados como anormais, no entanto, já esperados e uma possível causalidade (causa e efeito com a dor percebida pelo paciente) traz inúmeros prejuízos aos pacientes e sistema de saúde. Parte desses prejuízos podemos colocar na conta dos excessos de diagnósticos seguidos de execessos de tratamentos baseados numa abordagem equivocada ao associarmos os sintomas do paciente com os achados descritos num laudo de exame de imagem. Confira maiores informações sobre o tema acessando esse link: Não tema o inespecífico. Dor de “origem inespecífica” também é diagnóstico.

Portanto, os achados em exames de imagem devem ser interpretados no contexto da condição clínica do paciente. Desta forma, tratando-se de conceitos, espero ter deixado claro que existem anormalidades normais.


Sem ciência não há educação e não existe saúde. Desta forma, cabe aos amantes da ciência aproximar o distanciamento e estreitar o relacionamento entre os pesquisadores (a bancada), os clínicos e a sociedade. O nosso silêncio custa caro para a sociedade. Ele pode custar vidas e permitir com que pseudo-ciências (falsas ciências) perpetuem.

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