Dor e analgésicos opióides: os efeitos adversos do uso prolongado.

Olá leitor,

Parte II | Dando continuidade a publicação anterior, busquei escrever de forma simples os efeitos adversos mais comuns devido ao uso prolongado de analgésicos opióides.

Espero que essa informação chegue a você em tempo.


Os analgésicos opióides também conhecidos como narcóticos, por serem derivados do ópio (extraído da flor da papoula), assim como grande parte dos fármacos comercializados, podem causar inúmeros efeitos adversos (colaterais), desde os mais comuns tais como tontura, vômito, coceira e constipação aos mais graves levando os pacientes a óbito. Sim, os opióides podem levar a morte. Segundo dados recentes, nos Estados Unidos morrem ao ano mais pessoas com overdose (excesso de uso) de analgésicos opióides do quê consumidores de heroína e metanfetamina. O excesso de uso de opióides, junto a combinação com outros medicamentos pode ser letal. Anualmente, são mais de 700.000 hospitalizações devido ao uso indiscriminado de opióides. No Brasil, não existem dados específicos enquanto ao uso indiscriminado dessa droga. No entanto, acredita-se que não seja diferente dos dados alarmantes mundiais.

Mesmo que esses dados sejam surpreendentes a você paciente ou curioso, até o momento eu não deveria estar escrevendo nenhuma novidade aos clínicos. Teoricamente, para nós esse assunto é comum, ou ao menos deveria ser comum aos profissionais da área da saúde que lidam com a dor persistente de seus pacientes. O que me motivou a escrever essa sequência de publicações sobre “Dor e Opióides” dividida em três parte foi a necessidade de lhe alertar sobre um achado “”recente”.

Eu vou começar a contar essa “novidade” a partir de dois nomes que talvez você não esteja familiarizado (a):

  • Resistência ou tolerância ao uso de opióides, e;
  • Hiperalgesia reflexa ao uso de opióides.

Afinal, o que esses nomes significam?

Descomplicando, quando se toma analgésicos opióides por mais de algumas semanas você pode se tornar resistente a medicação além de aumentar a sua dor.

Quando você toma analgésicos opióides o seu cérebro reduz ou até interrompe o ciclo natural de produção das suas próprias substâncias analgésicas opióides para aliviar a sua dor.

Ou seja, quanto mais medicação opióide você ingerir, menor será a produção de opióides naturais pelo cérebro. Você está inibindo as substâncias naturais que o seu cérebro é capaz de produzir.

Estudos científicos mostram que analgésicos opióides são capazes de alterar a estrutura (morfologia) do seu cérebro após apenas 4 semanas de uso contínuo (regular) de opióides.

Simplificando, é como se o cérebro de uma pessoa que usa opióides com frequência fosse desligado, isto é, parasse de fabricar os seus próprios medicamentos naturais (fisiológicos) por que está recebendo uma quantidade muito grande de outra forma (externa).

Saiba que existe algo ainda mais curioso: Os opióides naturais que nosso cérebro produz são muito mais fortes do quê aqueles que são comercializados. Na realidade, eles são 18 a 33 vezes mais fortes além de não causarem os efeitos adversos e levar a morte.

Para finalizar a segunda etapa sobre o uso indiscriminado de opióides, precisamos conversar sobre dois “fenônemos” que ocorrem devido ao uso excessivo.

É preciso saber que as nossas células do sistema nervoso não se sentem bem com o excesso de analgésicos opióides. Elas reagem de modo aversivo. As células que recebem os opiódes no sistema nervoso tem a sua função prejudicada e reduzida, podendo até diminuir a sua quantidade. Sendo assim, após essas alterações, o opióde analgésico, seja o produzido pelo seu cérebro ou ingerido através do comprimido não alivia mais a sua dor.

Desta forma, surge um fenômeno quando os analgésicos opióides param de ser eficazes e você automaticamente sente que necessita aumentar as doses diárias, cada vez mais. Esse fenômeno é chamado de: “Resistência ou tolerância aos opióides”.

E além da resistência ou tolerância aos opióides, quando os medicamentos aumentam a sua dor, existe um outro fenômeno chamado de “Hiperalgesia induzida por opióides.”

Questione o seu clínico.

Busque informações adequadas para o manejo eficaz dos seus sintomas.


Sem ciência não há educação e não existe saúde. Desta forma, cabe aos amantes da ciência aproximar o distanciamento e estreitar o relacionamento entre os pesquisadores (a bancada), os clínicos e a sociedade. O nosso silêncio custa caro para a sociedade. Ele pode custar vidas e permitir com que pseudociências (falsas ciências) perpetuem.

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