Inteligência Artificial na Saúde

Inteligência Artificial na Saúde


O futuro chegou. Seja muito bem-vindo! Avanços nas áreas de computação, tecnologia e informação ditam o período vivido pela humanidade atualmente: a chamada Quarta Revolução Industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Robôs já substituem humanos em diversas funções; a expectativa é de que, até 2020, mais de cinco milhões de pessoas tenham perdido seus postos de trabalho para máquinas, e o mercado de softwares, hardwares e serviços relacionados a Inteligência
Artificial (IA) vai alcançar 47 BILHÕES de dólares.

Resultado de imagem para inteligencia artificialA IA é uma área da computação que propõe criar sistemas que simulem a capacidade humana de pensar, perceber, tomar decisões e resolver problemas. De que forma? Uma máquina é capaz de armazenar, relacionar e analisar em tempo recorde uma quantidade de informações infinitamente além da capacidade humana, introduzindo um novo nível de colaboração entre homem e máquina, o que ampliará o acesso a informação e solucionará problemas atuais e futuros. Esta interação é aprimorada pelo feedback dos usuários desta tecnologia, trazendo níveis de especificidade e personalização ao serviço.

No entanto, é possível que a IA seja utilizada em todas as áreas de forma segura? Ela vem ganhando destaque na área da Saúde, com a promessa de revolucionar o cuidado dos pacientes. Há algum tempo, pensava-se em máquinas de “auto-atendimento” em corredores de clínicas e hospitais, e robôs realizando procedimentos em centros cirúrgicos. Os grandes avanços, entretanto, estão nos sistemas de reconhecimento de padrões em um grande conjunto de dados a respeito de uma patologia, facilitando prevenção, diagnóstico e tomadas de decisão.

Na prática, imagine se o profissional da Saúde pudesse prever a ocorrência de uma parada cardíaca através de dados recebidos de um dispositivo móvel usado pelo paciente, ou que a precisão dos diagnósticos fosse aumentada pelo incremento na base de dados, ou ainda que as pesquisas sobre sinais e sintomas em sites de buscas fossem monitoradas e indicassem um quadro grave, levando a comunicação da equipe médica com aquele indivíduo. Pois bem, tudo isso já acontece sem nos darmos conta do tamanho da revolução tecnológica na área da Saúde, e traz imensuráveis benefícios e avanços aos pacientes e profissionais. Porém, em tempos em que toda e qualquer informação disponível em um sistema torna-se vulnerável, é provável e extremamente válido o questionamento sobre a segurança do uso da IA: privacidade, segurança e direções sobre futuro desta tecnologia podem ser assegurados? Ainda, sabendo que a população de baixa renda e alta vulnerabilidade socioeconômica é a que apresenta maiores fatores de risco para mortalidade precoce, é extremamente controverso que essa tecnologia não esteja disponível com fácil acesso para essa parcela populacional, abrindo uma grande lacuna nos resultados obtidos pelo uso da IA. E por último, mas não menos importante, o grande potencial de erro profissional induzido por um algoritmo falho. Mesmo que a AI demonstre taxas de sucesso em relação a outras abordagens, não é (e nunca será) perfeita; e erros, não importa o quão raros sejam, conduzirão percepções significativamente negativas do uso desta tecnologia.

Podemos concluir, então, que a tecnologia na Saúde vive um paradoxo: grandes investimentos de capital versus resultados não proporcionais. Para que essa relação torne-se mais equilibrada, é imprescindível a combinação da IA com a inteligência humana, ou a chamada “inteligência aumentada”, sendo provavelmente a abordagem mais poderosa para alcançar esta missão fundamental a despeito dos cuidados na área da Saúde.


Texto: Thaís Bortolini Bueno | Colaborada Dor e Coluna | Instagram: @dorecoluna